Olhos

Quase como superpoderes: injeções recentemente desenvolvidas tornam a visão noturna possível


Estudo mostra como nanopartículas podem expandir a visão

Uma equipe de pesquisa americana-chinesa recentemente testou com sucesso uma nova substância que possibilita ver no escuro. Após uma única injeção, os camundongos nos quais a substância foi testada foram capazes de ver o infravermelho por até dez semanas. Após a injeção, pequenas nanopartículas alteram o comprimento de onda com o qual o olho percebe a luz, permitindo assim a visão no escuro. A equipe de pesquisa também acha que pode ser usado em humanos.

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China e da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts desenvolveram uma substância que confere capacidade de visão noturna. Parece que saiu diretamente de uma história em quadrinhos da Marvel, mas na verdade é a mais alta tecnologia. As nanopartículas injetadas expandiram o espectro da luz visível para que os camundongos pudessem ver a luz infravermelha após a seringa. Os resultados da pesquisa foram apresentados recentemente na renomada revista "Cell".

Por que não podemos ver nada no escuro

O olho humano, assim como o olho de um mamífero típico, só consegue perceber a luz que se move no espectro entre cerca de 400 a 700 nanômetros. "No entanto, essa é apenas uma pequena porcentagem de todo o espectro eletromagnético", explicam os pesquisadores. O olho humano é incapaz de ver a luz de ondas mais longas como a luz infravermelha. Os óculos de visão noturna permitem perceber esse espectro de luz. Foi aqui que a equipe de pesquisa começou. Usando nano-antenas microscópicas, eles mudaram temporariamente os olhos dos roedores para que pudessem perceber a luz de ondas mais longas.

Que haja luz

Os pesquisadores explicam o processo: os camundongos são injetados com proteína usando pequenas nano-antenas. As proteínas transferem as nanopartículas ligadas ao olho, onde se ancoram aos fotorreceptores do olho. Essas células são responsáveis ​​pela percepção da luz. As partículas ancoradas expandem o espectro e garantem que o infravermelho próximo (NIR) possa ser percebido na faixa invisível. Esta informação é transmitida ao cérebro e interpretada como uma imagem. "Isso acontece sem a ajuda de dispositivos complicados", diz a equipe de estudo.

Verde em vez de preto

"Em nosso experimento, as nanopartículas absorveram a luz infravermelha no comprimento de onda de 980 nanômetros e a converteram em luz com 535 nanômetros", explica Jin Bao, da equipe de pesquisa chinesa. Esse espectro é visível ao olho humano e é percebido como uma cor verde.

Efeitos colaterais raros

Até agora, os pesquisadores descobriram apenas efeitos colaterais raros e fracos da injeção nos ratos. Em alguns roedores, as córneas do olho ficam nubladas. No entanto, essa nebulosidade desapareceu novamente dentro de uma semana.

Também pode ser usado em humanos?

"Acreditamos que essa tecnologia também funcionará para o olho humano", enfatiza o professor de Bioquímica e Farmacologia Molecular Dr. Gang Han em um comunicado de imprensa sobre os resultados do estudo. Ele vê não apenas aplicações na expansão da visão humana, mas também soluções terapêuticas para pessoas com deficiência visual.

Avanço na nano pesquisa

"Com esta pesquisa, expandimos amplamente as aplicações da tecnologia de nanopartículas", disse o professor. Os pesquisadores veem um grande número de possíveis áreas de aplicação, desde a exploração de redes neuronais no cérebro até o apoio à visão. "Com uma pequena ajuda, podemos ter a capacidade de ver todas as informações ocultas sobre a radiação NIR e IR no universo que não são visíveis a nossos olhos nus", conclui o bioquímico. (vB)

Informação do autor e fonte



Vídeo: Você Tem Superpoderes E Nem Sabe! Aqui Estão Todos Eles (Dezembro 2021).